segunda-feira, 8 de agosto de 2016

RESENHA| Alucinadamente Feliz: Um livro engraçado sobre coisas horríveis, de Jenny Lawson

Alucinadamente Feliz: Um livro engraçado sobre coisas horríveis
Jenny Lawson
Páginas: 352
Ano: 2016
Editora: Intrínseca
Idioma: Português
Obra cedida em parceria com a Editora Intrínseca


Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade.É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.O livro atrairá todo tipo de leitor por suas situações hilárias, mas tem um apelo especial para quem precisa conviver com transtornos mentais, quer como paciente, quer como parente ou amigo.

Em Alucinadamente Feliz a autora Jenny Lawson explora sua batalha ao longo da vida com seus males da mente. Um livro excêntrico e muito perturbador sobre a depressão e ansiedade que vêm incapacitando e prejudicando diversas pessoas sem distinção de raça, sexo, cor ou idade.


Assim, Jenny Lawson aborda de maneira muitas vezes hilariante, o que a maioria das pessoas acha complicado conversar ou até mesmo assumir que são possuidoras de tais comportamentos depressivos. Muitos pelo medo do desconhecido ou mesmo por achar futilidade, sofrem calados e transformam a própria vida num ciclo eterno de tratamentos paliativos, comportamentos dissimulantes e vestem a capa da indiferença quando por dentro a doença corrói sua energia e as leva a inutilização social e pessoal.


Nesse livro maravilhoso, o leitor dá boas risadas, mas também se emociona profundamente e se indaga o que pode ser feito para melhorar o nível de vida dessas pessoas que lutam dia após dia para serem produtivos e compreendidos.

Quando compartilhamos nossas batalhas, outras pessoas reconhecem que podem compartilhar as suas. E, de repente, percebemos que as coisas que nos envergonham são as mesmas que todo mundo enfrenta uma hora ou outra. Estamos muito menos sós do que pensamos.

Suas questões diretas sobre sua doença mental, suas ocorrências constantes de depressão, ataques de ansiedade, o medo de enfrentar o convívio com as pessoas, seja viajando ou apenas colocando a cabeça para o lado de fora de sua casa e suas táticas de sobrevivência são tão complexos e verdadeiros que remexem com as emoções do leitor.


Todos nós temos a nossa cota de tragédia, insanidade ou drama, o que faz toda diferença é o que fazemos com esse horror.

É realmente um livro incomum, uma perfeita harmonização onde a comicidade incoerente e fatos tocantes nos levam a uma mudança de como enxergaremos daqui pra frente, essa “epidemia” que está inutilizando nossa sociedade. Acho que qualquer pessoa que tenha sofrido ou ainda sofra de uma ou mais doenças tão estigmatizadas pela sociedade (sofro de transtorno de ansiedade) vão se reconhecer nessa obra.

Não se sabote. Muitas pessoas já estão dispostas a fazer isso de graça.

Quanto a essa capa intrigante, esse guaxinim com cara de tresloucado realmente existe moçada. Ele pertence à autora e está empalhado. Achei diferente e muito engraçado. A diagramação e fonte são impecáveis e as folhas em papel pólen tornam a leitura mais cômoda. Livro mais do que recomendado!

Espero um dia melhorar, e tenho certeza de que vou conseguir. Espero um dia viver num mundo em que a luta particular pela estabilidade mental seja vista com orgulho e torcida pública em vez de vergonha. E também espero isso por você.

2 comentários:

  1. Havia visto esse livro para vender na livraria Leitura e me encantei pela capa e a sinopse, já sofri muito com alguns problemas psicológicos, que não chegam nem perto dos dela, óbvio. Mas que me incomodaram por bastante tempo, e sei bem como é... Adorei a ideia da autora fazer a pessoa pensar de uma forma distinta, trazendo a ela uma nova direção, um meio de fugir desses transtornos. Incrível! Quero muito ler esta obra! Estou seguindo seu blog, amei tudo aqui, e suas resenhas são maravilhosas. <3

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  2. Essa capa chama muita atenção na livraria, toda vez que vejo fico com vontade de levar o livro pra casa. Achei muito legal descobrir que o guaxinim existe mesmo. Fora que o tema é bem diferente, gostei da ideia.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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